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Xilogravuras de Kiko Dinucci no LÁLÁ

Perceber a obra de Kiko Dinucci através do coração. Assim recomendo a leitura visual das xilogravuras aqui expostas. E deve-se ter um coração enorme nesta hora pois são sete sentidos, sete emblemas fortíssimos, sete motivos para entendermos a profunda relação da imagem no comando das emoções emanadas pela tradição revisitada, contendo traços de urbanidade nos grafismos que alto-contrastam com cores chapadas da cultura popular. Uma prática quase expressionista do universo deste artista que transita flutuante entre a música, as artes plásticas e a macumba, propondo em todas as três, uma interpretação pessoal intuitiva de vivência e crença interior que defende o irracional, o arrebatamento e temas ainda ditos como proibidos: o excitante, diabólico, sexual e perverso. Permita-se ainda viajar na idéia de pura conexão entre a temática e a técnica utilizada. O corte contundente na madeira reforçaria a idéia de gravar, impregnar com tinta e também multiplicar na memória
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A arte de Fábio Sampaio

A urbe-arte sinaliza para mais além. Lá, onde a iconografia do cotidiano pinta em setas, lembranças, carimbos, mensagens e uma outra escala de outros valores atravessam nosso decodificador interno que começa a piscar. Frente à obra de Fábio Sampaio, acusa que ela é simplesmente simples.  Sua pintura se resolve com poucos traços, economiza tinta, desliza como água, traz luz e certezas do que nos cabe bem em um mundo cheio demais. Representações gráficas quase oníricas se desprendem das superfícies claras e brincam com nossa memória feito cartas enigmáticas. Elas nos contam alguns segredos e nos fazem pensar na ressignificação do coletivo, das misturas das classes, dos anseios que se divergem e se conectam em objetos utilitários comuns a todos nós. Sobreposições abstratas se entendem bem com geometrismos; cores não são mais primárias; alegorias de uma vida sob a ótica do design popular imbricado ao pensamento lúdico; apenas alguns regimentos estéticos de um artista disciplinado na

Catálogo Salões de Artes Visuais 2013/2014

Participar de uma comissão de seleção oportuniza vivências de sentidos diversos.   Pela interlocução imediata com outras linhas do pensamento artístico; pela conexão com os sentimentos imersos nas obras; pela sedução do novo; pelo respeito ao tradicional; pela busca deste equilíbrio, mesmo que se apresente insólito.   A experiência numa das edições dos Salões de Artes Visuais 2013/2014 não se resume apenas ao veredito final mas a todo processo desencadeado durante observação, percepção e justificativa das crenças pessoais de cada membro, ou seja, nos expomos simultaneamente aos artistas participantes.  E assim nos tornamos parte integrante de uma grande mostra coletiva onde a concorrência é apenas um detalhe. Andrea May Membro de Comissões de Seleção e Premiação

30 Anos da Escola de Dança da FUNCEB | TCA

Assistir o outro não significa apenas olhar para, e sim ajudar a realizar etapas de um sonho em construção. Este é, sem dúvida, o maior mérito da Escola de Dança da FUNCEB que há 30 anos vem sedimentando terrenos de fortes raízes pelo comprometimento social e cultural. Debruçada com afinco nos processos criativos individuais em prol do grande coletivo chamado “dança” dirige a sua atenção não à superfície dos resultados práticos, mas a todo contexto de efemeridades e adaptações dos seus jovens colaboradores, seus artistas _ sua inspiração maior para esta exposição comemorativa. A mostra apresenta uma síntese da paixão e respeito ao próximo, ao meio-ambiente e à memória do nosso Estado, reunindo em 3 núcleos: fotografias, figurinos e vídeos de ações realizadas nos últimos 8 anos. As fotografias, permeiam o ambiente cênico em jogos de luzes e sombras, corpos rígidos e maleáveis, meias e rasgões, realidade e ilusão. Os figurinos, na sua essência do reaproveitamento sustentáve

Rodrigo Weill no LÁLÁ Multiespaço

Hipersensibilidade aflora o cérebro pela vertigem ocular no ambiente mais imersivo do LÁLÁ. Ainda que se tente encontrar a síntese para o descritivo de uma obra-instalação nada é construído tão facilmente ao ponto de resumi-la em duas ou três palavras, principalmente quando esta invade um espaço múltiplo que cheira forte à construção de processos eternos, do corpo, alma e criação em coletivo. Diria ainda que, adentrando este universo de frames cinematográficos e grafismos urbanos em movimentos ondulares dá para ver, até na luz do dia, projeções virtuais de hashtags subliminares que nos guiam às influências nítidas de Rodrigo Weill, o artista. Ele que parece amar tanto a Op Art, o Filme Noir, a Cultura Pop, o Surrealismo, a Glitch Art, tudo isso em loop , nos deixa livres para amar ou odiar cada centímetro da sua arte. Pois, mesmo considerando que a sensação de pertencimento nos aproxima deste caos, ela pode também criar um bloqueio imediato pela desordem que

Davi Caramelo na RV Galeria de Arte

Olhando para a instalação da nostálgica gaiola contendo uma lágrima vazia, talvez a senha do livro no varal, acredito ainda mais na existência do não-lugar e do não-tempo como confirmação do pertencimento, a exemplo destes dois jovens crédulos de um sonho único sendo desfragmentado. Ecoa surround aos ouvidos de quem lê até em voz baixa os códigos secretos da poesia refinada de Ludmila Rodrigues pois já nos chega aos olhos em geometrismos casuais, colagens contrastantes com resíduos de preto, branco e memória no lirismo contemporâneo impresso por Davi Caramelo nas criações visuais cujas técnicas remixadas são como sinônimo da liberdade máxima. E, assim como uma pinhole, imagino esta exposição como uma maneira de ver o mundo real através de uma caixa escura e sem lente para depois se revelar pausada e intimamente a cada um de nós. Não importa se a mão é invisível quando já está traçado e, neste caso também escrito, o destino da arte.  Andrea May (Setembr

Anita Dominoni no Palacete das Artes

A partir da observação minuciosa dos protagonistas que habitam, silenciosamente expressivos, os territórios da acidez e do humor desfigurado inerentes ao surrealismo pop, posso ver, com mais clareza, como somos e agimos.   Homens, mulheres, crianças e animais, sozinhos ou em grupos, nos revezamos altruístas nas composições que beiram a banalização cotidiana, mas chocam na elegancia da simplicidade iconográfica. Tudo precisamente recortado e produzido com esmero, além do registro preciso, quase um fotograma sem riscos, danos ou sequer qualquer falsa apologia.  São apenas, mas não somente apenas retratos. São retratos, retratos, retratos... e poesia infinda! Assim, esta mostra nos apresenta o lado oculto da moeda mais cara (unidade de referência visual); aquele que, no jogo de sorte, raramente cai voltado para cima; a face que tem mais peso pelos valores agregados, pintados, rabiscados, sobrepostos, colados em papéis e telas. A arte de Anita Dominoni. Andrea May a.k.a. Happy

Sonhos & Silêncio de Juliana Bestetti

Sobre Sonhos & Silêncio somente Juliana Bestetti poderá nos falar, aliás, nos mostrar em desenhos de uma infinita delicadeza e poesia. Assim será sua primeira exposição individual, não à toa ocupando um café muito especial pela inteligencia aconhegante, o Café da Walter. A ocupação acontecerá em processo de montagem criativa no próprio espaço com prévia em abertura para convidados (14/01) e, posteriormente, aberta ao público sintonizado em idéias e atitudes legais como a do projeto Dominicaos (18/01). Juliana é quase uma personagem de uma lenda. Pequena e astuta, não dá pra medir ou dimensionar o quanto ama. Assim, transforma sentimentos em imagens que costuma dividir com todos nós. Logo, uma parede é um livro onde narra suas histórias com simbologias de traquitanas mentais que nem sempre é possível decifrar mas vale muito conhecer para entender que sentimentos nem sempre são tão óbvios. Isso sim, nos difere no cosmo. Caminhar paralelo nesse trabalho me fez and